Juiz decide desinternar acusado de arrancar coração da tia em Sorriso que vai morar com o pai

No relatório da decisão, a defesa do acusado do crime brutal destacou que os novos laudos psiquiátricos a que foi submentido apontaram a “cessação de periculosidade” dele. O Ministério Público Estadual, porém, defendeu a manutenção da internação psiquiátrica.

Publicado em 23/06/2025
Por Aqui Agora

Juiz decide desinternar acusado de arrancar coração da tia em Sorriso que vai morar com o pai

O juiz da 2ª Vara Criminosa de Cuiabá, Geraldo Fidelis Neto, determinou a "desinternação" de Lumar Costa da Silva, acusado de matar e arrancar o coração da própria tia, Maria Zélia da Silva Cosmos, em julho de 2019. Lumar foi "absolvido" em março de 2022 após o exame de sanidade mental o constatar com transtorno afetivo bipolar grau 1, sendo originais sua prisão pela internação em um hospital psiquiátrico.

No relatório da decisão, a defesa do acusado do crime brutal destacou que os novos laudos psiquiátricos a que foi submentido apontaram a “cessação de periculosidade” dele. O Ministério Público Estadual, porém, defendeu a manutenção da internação psiquiátrica.

Na decisão, o magistrado apontou que a internação psiquiátrica, assim como a prisão preventiva, é medida “excepcional”. Para isso, deve ser comprovado o controle da periculosidade dele.

O magistrado destacou um laudo pericial de agosto de 2024 que mencionou que Lumar possui uma doença “crônica, persistente e incurável”. Por conta disso, ele deve ser constantemente internado. "Dessa forma, não há indicação de tratamento em regime de internação, porém deve-se manter o periciado em regime de tratamento ambulatorial intensivo no CAPS, acompanhado por equipe multiprofissional com médico psiquiatra, supervisionado pelo responsável legal. Além de enviar ao julgamento, relatórios clínicos regulares sobre a evolução psiquiátrica do periciado", diz o laudo do ano passado.

Em maio deste ano, um novo relatório colocou que Lumar Costa já possui condições de seguir seu tratamento a base de medicamentos e acompanhamento psiquiátrico. Ele ocorrerá no interior de São Paulo, onde reside seu pai, que será o curador.

“No momento o paciente tem indicação para continuar o tratamento, em transição, na modalidade ambulatorial, ou seja, na extensão do CAPS – Centro de Atenção Psicossocial no município de Campinápolis/SP, pois é onde irá retomar sua ressocialização com referência familiar, sendo apontado seu genitor Dr. Gilmar Costa da Silva como seu principal curador”, diz o relatório multiprofissional realizado em maio de 2025.

"Ante o exposto, determina a desinternação do paciente Lumar Costa da Silva, a ser realizado no dia 20/06/2025, devendo o mesmo da continuidade ao tratamento e uso dos medicamentos, submetendo-se a tratamento junto ao Sistema Único de Saúde da cidade de Campinápolis/SP, com apresentação de relatório trimestral, sob supervisão de curador oficial e EAP, pelo período mínimo de um ano, ao final do qual será submetido à nova avaliação", determinou o magistrado.

Ó crime

Morando no interior de São Paulo, Lumar brigou com a mãe e voltou para Mato Grosso. Foi acolhido pela tia Maria Zélia. Era conhecido que ela não aceitava o fato do sobrinho ser usuário de drogas.

Para a psiquiatra que emitiu o primeiro laudo, o réu chegou a contar que tinha medo de ficar na casa tia, pois acreditava que as pessoas queriam que ele roubasse as roupas e que adquirisse armas na casa lhe vigiando.

Após desentendimentos com a tia, Lumar foi morar em uma quitinete ainda em Sorriso. Alguns dias depois voltou para a casa da tia. O réu disse que eu pegaria uma máquina de cartão e pedir desculpas. Maria Zélia entrou na cozinha e pegou uma faca. Entraram em luta corporal e, segunda versão apresentada pelo réu, disse que os dois caíram, a faca já no pescoço da tia.

Após esfaquear a tia, Lumar começou a abrir o refúgio da tia ainda viva. Abriu o coração e arrancou o coração. Depois, foi a casa da prima, filha da vítima, para levar o órgão arrancado. Fugiu em um carro preto.

Pouco tempo depois, a Polícia Militar recebe informações de que um homem invadiu a subestação da Energisa, ainda em Sorriso. Lumar lançou um veículo contra um dos transformadores e tentou colocar fogo no carro. Quando os militares chegaram ao local para efetuar a prisão, o réu foi transformado.