Imagine a seguinte cena: um homem é ferido por arma branca ou por disparo de arma de fogo. Socorrido, ele é levado para uma unidade de saúde. Seu desafeto, sabendo onde ele está, invade o local para “terminar o que começou”. Sem segurança, servidores e pacientes ficam à mercê da própria sorte.
Esse risco não é fictício. Ele é real – e reforça a importância da Lei Delegada, que permite que militares atuem em órgãos públicos fora da escala normal, garantindo segurança especialmente em locais como postos de saúde e a UPA.
Em Primavera do Leste, a Lei Delegada ficou suspensa por três dias, deixando importantes unidades de saúde como a UPA e os postos de saúde dos bairros sem o reforço de segurança. O motivo: atraso no pagamento dos policiais militares que já prestaram o serviço.
A cobrança foi imediata por parte dos vereadores Eraldo Fortes (PSDB) e Rafael Abreu (União Brasil). Também se posicionou de forma firme o Sargento Teles (PRD), que declarou que buscaria diálogo com o prefeito Sérgio Manich para evitar que a burocracia travasse novamente o funcionamento do serviço, essencial para a proteção dos servidores e da população.
### Um crime que marcou a cidade
A ausência de segurança já teve consequências trágicas. No posto de saúde do bairro São José, um homem com transtornos mentais invadiu a unidade armada com uma faca e matou uma enfermeira. O caso abalou Primavera do Leste. Posteriormente, ficou constatado que o agressor não seria julgado, devido à sua incapacidade mental comprovada.
O episódio marcou definitivamente o debate sobre segurança em ambientes de saúde pública e reforçou a importância de manter a Lei Delegada ativa e operando sem interrupções.
Atualmente, o posto de São José realiza atendimento de clínica geral. Todos os pacientes passam por avaliação, e, caso haja necessidade, sejam encaminhados para especialistas.
O servidor Jeferson, que responde pela gestão da unidade, destacou que nenhum novo caso grave foi registrado, mas que a presença dos militares através da Lei Delegada é fundamental:
— "A Lei Delegada é importantíssima. Sem ela, todos nós ficamos mais vulneráveis. Já aconteceu por uma tragédia e não queremos repetir esse pesadelo", afirmou.
### Situação foi normalizada
Após a pressão popular e política, a prefeitura realizou o pagamento atrasado aos militares e os serviços da Lei Delegada foram totalmente retomados. A segurança nas unidades de saúde está, neste momento, normalizada, garantindo mais tranquilidade aos profissionais e à comunidade.